“Eu quis te chamar. Gritar, berrar teu nome pelas ruas da madrugada. Quis te ter aqui comigo à força, falar todas aquelas coisas estúpidas que um sentimento estúpido te faz dizer. Eu fechei os punhos e os olhos para não me ajoelhar e te pedir para ficar. Eu fui forte, uma vez na vida eu fui forte. Ganhei essa batalha interna que nunca teve um vencedor. Eu perdi. E a punição é ficar sentada te vendo partir para bem longe de mim. Eu quis te chamar. Naquele momento, mais do que nunca, quis ser a menina simples que você sempre me mandou ser. Quis gostar de flores e carinhos, quis ter o cabelo sem graça e os olhos sem expressão. Quis que você me entendesse e me lesse com mais facilidade. Quis abrir o peito para te mostrar todas feridas daqui. E me calei. Calei a angústia que me ardia, calei os gritos que me importunavam. Então, simples assim, te vi partir.” Ana F.